Coluna Esportes – Matheus Aguiar – 09/04/2020

Matheus Aguiar

Teimosia
Quando recebi a escalação do Hercílio Luz para o jogo do último domingo contra o Concórdia, no estádio Aníbal Costa, imaginei que seria uma noite ruim para o torcedor do clube. O jogo, tratado como fundamental na luta pela permanência na primeira divisão estadual, seria encarado não da maneira como deveria ser pelo seu treinador. Na ausência de Eduardo Meurer, volante que continua com problemas físicos, mas estava no banco de reservas, Marcelo Caranhato optou por um zagueiro e incluiu Hyago no 11 inicial, atuando com três zagueiros. Não deu certo, assim como na derrota para o Juventus ainda na 3ª rodada. O time atua desorganizado, muito pela falta de tempo para trabalhar o esquema.

Custou caro
Ficou difícil entender a convicção de Marcelo Caranhato, que trabalhou na pré-temporada de uma maneira e encarou vários jogos do Catarinense com um mesmo esquema, inclusive o da histórica vitória contra a Chapecoense no Oeste. Na paralisação do estadual por duas semanas, manteve o entendimento de seu 4-3-3. Não havia motivo algum para insistir em um esquema com três zagueiros, sem abdicar do três atacantes, jogando em casa. Desde o início o Concórdia jogou melhor e ele suportou o duelo inteiro sem mexer onde deveria. Técnicos de futebol precisam ter convicção. E a linha entre convicção e teimosia é tênue. Infelizmente Marcelo errou demais. A saída era inevitável.

Solução caseira
Não havia motivo para o Hercílio procurar um novo treinador após a saída de Marcelo. Por dois motivos. O primeiro é que restam três jogos na competição, que serão disputados em duas semanas e meia. O novo profissional teria pouco tempo para conhecer a estrutura do clube, o grupo de atletas e encontrar uma maneira de jogar. O segundo é que o Hercílio tem na comissão permanente o nome ideal para os jogos finais. Tom, ex-jogador do clube, há tempos investe na carreira de técnico e já comandou o clube em outros episódios, inclusive na segundona do ano passado. Tem conhecimento do trabalho e do plantel para conseguir os resultados.

Uma vitória
É preciso dizer, todavia, que o desafio é enorme. O Hercílio Luz vai visitar neste sábado, dia 10, um dos adversários mais difíceis do campeonato. No Augusto Bauer, visita o Brusque, time ofensivo que vai jogar a Série B em 2021. Uma semana depois, vai ao Sul da Ilha enfrentar o Avaí na Ressacada. A última rodada marca um duelo em casa contra o Joinville. Com nove pontos, uma vitória com certeza garante o Hercílio na elite em 2022. Esse é o desafio. Falar em classificação é equívoco nesse momento. Em resumo: tem três jogos para ganhar um. Esse é o desafio de Tom.

Difícil apostar
O Metropolitano deve ser um dos rebaixados. Mesmo à frente do Criciúma na tabela, acho difícil que resista ao pressionado Tigre no fim de semana, no Heriberto Hülse. O Metrô ainda tem Chapecoense e Juventus pela frente. O Criciúma visita Concórdia e recebe Avaí. O Concórdia, que também briga para não cair, visita Avaí e Juventus, além do jogo em casa contra o Tigre. A missão do Hercílio também é bastante difícil. Hoje é muito difícil apostar nos dois rebaixados. Apesar de achar que o Metrô vai voltar à segundona, quem cai junto? Imaginem se for o Criciúma.

Sem barulho
O Marcílio Dias pegou pesado (corretamente) com a Federação Catarinense de Futebol (FCF) após o empate do último fim de semana contra o Criciúma. Criticou a arbitragem de Rodrigo D’Alonso, que errou em vários lances capitais da partida. O clube argumentou desânimo após lutar para fazer futebol em meio a tanta dificuldade, agravada pela pandemia. Semanas atrás, o Próspera também reclamou de lances em um jogo contra o Avaí. O Hercílio Luz prefere reclamar sem dar publicidade. Não vi manifestação pública em relação ao erro gravíssimo de Célio Amorim no empate contra o Metropolitano em casa. Houve um pênalti claríssimo. Um escândalo. Por que o Hercílio não fez como o Marcílio?

Um jogo
Em entrevista na Rádio Cidade, o diretor de arbitragem da Federação Catarinense de Futebol, Marco Antônio Martins, afirmou que o pênalti existiu. Ele explicou como as análises são feitas e como a FCF escolhe os árbitros das partidas. Um dado importante: o Catarinense teve oito rodadas até o momento. Sabe quantos jogos o experiente Célio Amorim apitou? Um. E cometeu um erro grave. Tudo isso não representa, claro, o grande motivo para o Hercílio estar mal no campeonato. É até difícil ir à fundo na questão quando o time não faz a parte dele. Mas se clubes como Marcílio e Próspera reagem de maneira pública, não chegou a hora do Hercílio mudar o comportamento?

Difícil de assistir
Não sei se a pandemia é o principal fator, mas tem sido difícil assistir aos jogos do Campeonato Catarinense de 2021. Falta muita qualidade. Acompanho a competição com frequência, por causa do trabalho, desde 2018. Arrisco sem medo de errar que essa edição é a mais limitada no aspecto técnico. É preocupante imaginar como vai ser o desempenho de times como o Figueirense e o Criciúma, por exemplo, que vão jogar a Série C. Mesmo o Avaí, que vai jogar a Série D, tem tido atuações bastante modestas.

Coitadinho...
A dívida pela contratação do meio-campista Wesley pelo Palmeiras, enfim, vai ficar no passado. Depois de anos de discussão na Justiça, a diretoria do Verdão chegou a um acordo com o empresário Antenor Angeloni, ex-presidente do Criciúma, que foi fiador da negociação entre Verdão e Werder Bremen, da Alemanha, em 2012. A dívida era avaliada em cerca de R$ 60 milhões, mas o acordo foi fechado em aproximadamente R$ 48 milhões.